O fascínio da tecnologia

Cá em casa procuramos que os piquenos não excedam o screen time aconselhado (e nós também). O Leozinho ainda não vê televisão e nem lhe dá atenção quando está na sala e o mano ou os pais estão a ver, talvez pelo facto de andar muito ocupado a desarrumar prateleiras e a espalhar coisas pelo chão. Este menino é um verdadeiro explorador, muito ativo e curioso.

Os únicos ecrãs a que o caçula presta (muita) atenção são o telemóvel e o tablet, talvez por serem mais pequenos e poder tê-los nas suas mãozinhas. Pode estar a fazer o que quer que seja, a brincar com algo que adore, mas se vê qualquer um destes dois à mão, é vê-lo a arregalar os olhinhos, a dar risadinhas e, em menos de nada, joga-lhe a mão. E depois, com o seu dedito indicador, começa a querer explorar e mexer todo contente. Normalmente o ecrã está bloqueado e isto deixava-o bastante chateado, mas agora percebeu que também pode haver diversão a falar com a voz do senhor do tablet!

Outra coisa que ele adora fazer é imitar os crescidos (como não podia deixar de ser) e andar pela casa, com um telemóvel na mão, a fingir que está a conversar com alguém. Então, é vê-lo andar às voltas, ou para trás e para a frente (a fazer sulcos no chão como as personagens de BD), a repetir “Aloá, aloá, aloá!”. E devem ser chamadas que nos vão ficar carotas, uma vez que parecem ser telefonemas internacionais, e uma ligação destas, quer seja para o Brasil ou para o Hawai (estamos ainda a tentar perceber que língua está a falar), não deve ficar barata! O Leo também já tem o seu próprio telemóvel, até teve um antes do mano, mas, curiosamente, não lhe liga muito; também tem teclas e luzinhas e até canta canções, mas, aparentemente, não dá para fazer chamadas de longa duração e rapidamente perde o interesse.

O mano mais velho, por seu lado, gosta muito de ver televisão. E quando é para relaxar ou fazer uma pausa dos trabalhos de casa, por ele, estava quase sempre colado ao ecrã. Acontece que a maioria dos seus trabalhos de casa passam por estar ao computador e não faz sentido fazer uma pausa de um ecrã com outro ecrã. Mas vai-se lá explicar isto a esta malta nova! Há alturas em que até parece compreender, que é sensato e a televisão não exerce o seu fascínio, mas há outras em que se não estivéssemos a controlar lá estava ele ligado à TV, como quem não consegue resistir à tentação. Há programas que conseguem conjugar a diversão e a educação, como o Horrible Histories e o Brain Child, por exemplo, e esses até costumamos ver em conjunto, mas há outros que são pavorosos.  Ver bonecos animados é algo que também ainda gosta de fazer e até há alguns com conteúdo, como os Nutriventures (feito por portugueses, boa!), por exemplo, mas há programas infanto-juvenis que são de fugir, quer pelos desenhos quer pela história. Eu e o pai não queremos cair no erro de sermos demasiado castradores, mas há com cada rubbish na televisão que é preciso estarmos vigilantes, sem exageros, mas com a devida atenção.

Há uns tempos, entrei na sala e deparei-me com esta imagem. Os dois manos no sofá a jogar na consola! “Qu’é isto?!?!” Claro que o Leo estava apenas a imitar o que via o mano fazer, mas fazia-o com tal concentração, que deu tempo para ir buscar o telemóvel e tirar uma foto e ele nunca mudou de posição. Há alturas em que quero registar alguns momentos para a posteridade e não dá tempo, pois o senhor Lekinhas não pára um segundo. Desta vez desconfio que, mesmo que eu tivesse demorado três quartos de hora, ainda ia encontrar o rapazola assim, sentadinho, olhos no ecrã, a jogar consola com o seu Big Brother, todo regalado.

“Até tu, Leo, meu filho?” 😊

Consola nerds


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