Emigrar com filhos pequenos e em idade escolar

5 dicas práticas para ajudar quem estiver a pensar em emigrar:

1- fazer uma lista de prós e contras

Emigrar ou não emigrar, por si só, já é uma decisão que deve ser bem ponderada. Emigrar com filhos, então, ainda requer uma maior ponderação.

No nosso caso, sempre que há uma grande decisão para tomar, gosto de fazer uma lista de prós e contras. (Adoro fazer listas!) E a decisão sobre emigrar não foi exceção.

A lista do lado “pró” era encabeçada pela “enorme vontade do Sr. Meu Marido em viver noutro país” (algo que eu já sabia há quase 22 anos, quando começámos a namorar.)

Por outro lado, a lista do lado “contra” era encabeçada por receios como:

– “temos um filho”

– “o nosso filho está no 3. ano”

– “o nosso filho vai ter saudades dos amigos, colegas e professores e da família”

– “o nosso filho não fala a língua do país”

Como acredito que a nossa maneira de ver as coisas tem muito a ver com a perspetiva como olhamos para elas, decidi ver se haveria alguns pontos que podiam estar a ser condicionados pela nossa perspetiva e receios.

2- ver as coisas de outra perspetiva

Assim, considerei, ou melhor considerámos, se o facto de emigrar poderia ser algo que trouxesse mais benefícios do que ‘prejuízos’ para o nosso filho.

Assim, os pontos anteriores passaram a:

– “temos um filho”

Ótimo! Vai ser uma experiência excelente para ele, vai conhecer outros lugares, outras culturas, novas pessoas, viver novas experiências e alargar horizontes.

– “o nosso filho está no 3. ano”

Ótimo! Já está habituado à rotina de frequentar uma escola, só terá de se ambientar à rotina de frequentar outra escola, da mesma maneira que também faria se mudássemos de localidade em Portugal. E como também vai mudar se ficarmos onde estamos, quando for para o segundo ciclo, ou secundário, por exemplo.

Se o nosso filho ainda não estivesse em idade escolar poderíamos pensar:

Ótimo! Quando for para a escola, que é sempre uma fase de grande mudança e adaptação, pelo menos já está ambientado ao novo país e será menos um desafio, …

Estão a ver a ideia? Tudo tem sempre duas formas ou perspetivas de poder ser pensado ou visto. Prefiram a opção de ver o copo meio cheio e não o copo meio vazio! É o que eu procuro fazer sempre. E ajuda muito!

Continuemos:

– “o nosso filho vai ter saudades dos amigos, colegas e professores e da família”

Sim, vai ter saudades e ainda bem. É sinal de que tem bons amigos, colegas e professores, com os quais poderá falar frequentemente, em especial ao início, pois com as novas tecnologias as distâncias encurtam definitivamente.

(Ter sido emigrante antes do Skype, do WhatsApp e do Messenger deve ter sido bastante mais difícil! Tenho um enorme respeito e admiração por todos os emigrantes que emigraram em tempos em que ainda não havia todas estas novas tecnologias que ajudam, e muito, a matar as saudades!)

Os nossos filhos falam e veem frequentemente a família mais chegada, em especial os tios e os avós. E é bom para eles e para nós. Assim, sentimo-nos todos mais próximos.

– “o nosso filho não fala a língua do país”.

Ótimo, vai aprender a língua no país para onde vamos. Vai aprender a nova língua a ouvir e a falar com nativos, na escola, na rua e em todo o lado onde formos. Não há melhor forma e mais natural de aprender uma língua estrangeira do que no país onde ela é falada como língua materna.

No caso do nosso filho, ele já compreendia e falava algumas frases e expressões básicas em inglês. Neste aspeto, nós portugueses temos bastante vantagem pelo facto de o inglês ser ensinado às nossas crianças logo na escola primária.

Nós também podemos ajudar os nossos filhos e dar-lhes umas aulinhas privadas, em especial nos primeiros tempos. Tal como eu fiz com o meu filho, em agosto, no nosso primeiro mês aqui. Hoje é muito giro rever vídeos dessa altura e constatar a sua evolução. Na verdade, hoje é ele que muito me ensina a mim! É muito giro e enriquecedor! Uma vez mais, um “pró” de termos tido a coragem de emigrar há quase 4 anos.

Agradeço várias vezes ao meu marido por ter sido o impulsionador desta viagem e experiência extraordinária!

(Também já houve umas duas ou três vezes em que sei que o entristeci e preocupei quando ele me viu chorar. Por exemplo, um dia ao chegar a casa, depois de um dia difícil, porque também os houve, em especial quando engravidei do nosso Leo. As hormonas e os receios de não ter a minha mãe e as minhas amigas por perto fizeram-me chorar algumas vezes. Mas que eu sou chorona também já não é novidade para ninguém, como se pode ler aqui pelo blog.)

3- falar com pessoas que emigraram com filhos pequenos e em idade escolar

Este é outro ponto que foi muito importante no nosso caso. Ouvir a experiência de outras famílias que tivessem passado pelo mesmo. Nos tempos que correm, quase toda a gente conhece alguém que está emigrado (ou já esteve). Falar com outros emigrantes e partilhar os nossos receios e ouvir da sua experiência é algo que nos pode ajudar a tomar uma decisão mais informada.

Outra excelente opção são os blogs online, como este. 😊 Permitem-nos ter “acesso” a várias histórias e experiências pessoais que nos podem dar uma ideia de como a experiência também poderá vir a ser para nós.

Na altura em que pesquisei sobre isso, ao escrever “emigrar com filhos pequenos” ou “emigrar com crianças em idade escolar”, um dos blogues que encontrei foi o https://viveremlondresuk.wordpress.com/. Encontrei lá muita informação pessoal e útil e até troquei alguns emails com a autora. Uma vez mais, muito obrigada Vanessa!

Com este post espero, também, poder contribuir para ajudar quem tenha as dúvidas e receios que eu também tive. Se houver algo de que eu não tenha falado e que seja importante para quem estiver a ler, podem perguntar nos comentários ou por email.

Antes de passar ao ponto seguinte, queria também referir que falar com outras pessoas é muito importante, mas é óbvio que a decisão deve ser tomada tendo em conta, em primeiro lugar, a nossa história e motivos pessoais. Ouvir a opinião dos outros ajuda, mas o que deve prevalecer sempre é a nossa opinião.

Ao escrever estas linhas, estou a lembrar-me de uma conversa que tive com a mãe de uma amiga, um pouco antes de termos emigrado.

“Lili, pensa bem! Quando se é emigrante, passas a sentir-te ‘estrangeiro’ no teu país e no país para onde vais. Quando cá voltas no verão, já não te sentes ‘em casa’ e quando lá estás, também não!”

Agradeci (e agradeço) imenso as palavras e a preocupação da mãe da minha amiga, pois partilhou comigo as dificuldades que sente como emigrante. E se eu estivesse pouco certa dos “prós” da nossa decisão, ao conversar com ela podia ter decidido “não”.

Contudo, nessa altura, a nossa decisão já estava mais do que tomada. E eu ao ouvi-la dizer aquilo e ao não ficar preocupada, foi para mim a confirmação de que tínhamos tomado a decisão acertada.

No fundo, a pessoa mais importante que devem ouvir são vocês mesmos, a vossa intuição, o vosso gut feeling, a vossa voz interior, ou como preferirem chamar. Ela é, sem dúvida, a melhor voz para nos guiar. Acreditem!

4- visitar o país antes de emigrar

E a razão pela qual a conversa com a mãe emigrante da minha amiga não abalou a minha certeza foi, precisamente, por causa deste ponto.

Aconselho vivamente a visitar o país, sempre que possível, antes de se decidir mudar definitivamente. No nosso caso, eu já tinha estado em Inglaterra e em Londres e adorei a visita. Mas é claro que uma coisa é estar cá como turista e outra coisa bem diferente é viver permanentemente.

Na verdade, e por mais estranho que possa parecer, foi numa visita à França que decidi, ou melhor, senti a vontade de emigrar e viver noutro país, algo que o meu marido sempre quis.

Assim, foi uma visita que fizemos aos meus cunhados aqui são imigrantes em França, um verão antes de termos mudar para Inglaterra, que causou um shift, uma mudança dentro de mim.

Estivemos uma semana com eles e, como eles iam trabalhar durante o dia, nós aproveitávamos para passear, mas também para viver a rotina do dia a dia de viver noutro país.

Lembro-me, por exemplo, de gostar de ir ao supermercado e de encontrar produtos que não encontrava em Portugal.

Gostei de me cruzar com os vizinhos deles e de falar outra língua e de ter a oportunidade de a praticar e melhorar.

Para além disso, gostei quando experimentámos outras comida e sabores. Adoro turismo gastronómico!

Recordo-me de uma noite, em particular, em que fomos assistir a um espetáculo de música clássica, no coreto da praça ao pé de casa, e de pensar “Que giro! Estou a adorar!”

Tal como estes, houve muitos outros momentos que, certamente, criaram dentro de mim a vontade e o “bichinho” de também experienciar novas vivências e alargar os meus horizontes.

5- ir um dos pais primeiro

Claro que tudo isto é muito lindo e poético, mas, em especial, quando se tem filhos pequenos e em idade escolar, as decisões têm de ser tomadas com ponderação e com os pés bem assentes no chão.

E foi isso que fizemos. O pai veio primeiro, para apalpar o terreno e ver se a vontade não esmorecia. E a vontade não só se manteve, como até aumentou. Assim sendo, eu e o nosso filho, na altura com 9 anos, juntámo-nos ao pai no final do ano letivo.

Hoje já somos 4 a viver esta aventura, em Inglaterra, onde já todos nos sentimos em casa.

Há dias em que me imagino a viver por cá por mais uns bons anos. Noutros dias, tenho saudades do sol, da família e dos amigos e penso que talvez não fiquemos tanto tempo.

Enquanto nos formos sentindo em casa, enquanto nos apetecer e nos ‘deixarem’ (“tenham lá juízo senhores do Brexit!”), vamos estar por cá. A aproveitar esta excelente oportunidade e tudo o que se proporcionar, a aprender e a crescer.

Podem ler mais relatos da nossa experiência como imigrantes em Inglaterra na categoria EmigrantLi.

Boas decisões e boa sorte!

Bem Haja!

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